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Diogo Bernardes

Diogo Bernardes nasceu em Ponte da Barca em 1530 e morreu provavelmente em 1605. Filho de um Tabelião desta localidade, em 1544 recebeu ordens menores; viveu alguns anos em Lisboa, onde se relacionou com grandes poetas do seu tempo – Sá de Miranda, António Ferreira, Andrade Caminha – aos quais dedicou muitas das suas poesias.

Mais tarde voltou a Ponte da Barca, onde foi Tabelião como o seu pai. Exerceu vários cargos na corte de D. Sebastião, a quem acompanhou na jornada de Alcácer-Quibir, para ser o cantor oficial das glórias do Rei, afinal ficou cativo em Marrocos e só voltou à Pátria em 1581.

De regresso a Portugal continuou a desempenhar funções palatinas agora junto de Filipe II, e recebeu novas honrarias e tenças.

As obras do autor, estão divididas em três volumes: Várias Rimas ao Bom Jesus (1594), Rimas Várias- Flores do Lima (1596), e O Lima (1596). A sua obra é bem a de um quinhentista português: sonetos, cartas, canções e éclogas. Os modelos são os costumados: Petrarca, Sennazaro, Garcilaso, Boscán e Tasso, os antigos clássicos latinos. Repetem-se os temas mitológicos e históricos habituais.

A melancolia doce da paisagem minhota sentiu- a como poucos no seu tempo este cantor dos rios. Poeta do Lima se lhe chama geralmente porque, sendo natural e vivendo muito tempo na Ribeira-Lima, cantou particularmente aquele rio. Mas não foi só o Lima. Bernardes parece ter tido uma predileção especial pelas águas correntes: o Tejo, o Douro, o Mondego, o Leça, o Vez cintilam e murmuram nos seus versos.

A forma dos seus versos não é irrepreensível, e aqui e além revelam-se na sua obra certos preciosismos, efeitos rebuscados, agudezas insípidas que anunciam já certos aspectos do século XVII. Mas, com tudo isso, Bernardes, cantor dos rios e das fontes, da graça melancólica e doce da paisagem, é, depois de Camões, o nosso bucólico renascente mais puro e limpo, mais fluente e inspirado.

Fonte: Dicionário de Literatura sob a direção de Jacinto do Prado Coelho, Ed. Figueirinhas, Porto.