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𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗼 𝗖𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗮𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲𝘂 𝘀𝗲𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗲 𝗼 𝘀𝗲𝘂 𝗽𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗰𝗮𝗺𝗶𝗻𝗵𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼
A Casa do Conhecimento de Ponte da Barca recebeu, no dia 5 de novembro, a sessão "𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹, 𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗟𝗶𝗻𝗴𝘂𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘂𝗺 𝗠𝗶𝘁𝗼 𝗨𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮𝗹", dinamizada por 𝗙𝗮́𝗯𝗶𝗼 𝗥𝗮𝗺𝘂𝗻𝗻𝗶, que propôs uma reflexão sobre Portugal enquanto território de riqueza histórica, cultural e simbólica, 𝙧𝙚𝙡𝙖𝙘𝙞𝙤𝙣𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙤 𝙨𝙚𝙪 𝙥𝙖𝙩𝙧𝙞𝙢𝙤́𝙣𝙞𝙤 𝙘𝙤𝙢 𝙤 𝙢𝙞𝙩𝙤 𝙪𝙣𝙞𝙫𝙚𝙧𝙨𝙖𝙡 𝙙𝙖 𝙘𝙤𝙢𝙥𝙡𝙚𝙩𝙪𝙙𝙚 𝙝𝙪𝙢𝙖𝙣𝙖 𝙚 𝙙𝙚𝙨𝙩𝙖𝙘𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙤 𝙨𝙚𝙪 𝙥𝙤𝙩𝙚𝙣𝙘𝙞𝙖𝙡 𝙥𝙖𝙧𝙖 𝙙𝙚𝙨𝙥𝙚𝙧𝙩𝙖𝙧 𝙘𝙖𝙢𝙞𝙣𝙝𝙤𝙨 𝙙𝙚 𝙖𝙪𝙩𝙤𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙚 𝙘𝙤𝙢𝙥𝙧𝙚𝙚𝙣𝙨𝙖̃𝙤 𝙙𝙖𝙨 𝙙𝙞𝙛𝙚𝙧𝙚𝙣𝙩𝙚𝙨 𝙙𝙞𝙢𝙚𝙣𝙨𝙤̃𝙚𝙨 𝙙𝙤 𝙨𝙚𝙧 𝙝𝙪𝙢𝙖𝙣𝙤.
Ao longo da apresentação, o orador explorou a relação entre filosofia, teologia e arte, cruzando diferentes tradições espirituais e referências culturais para refletir sobre a procura da sabedoria e da realização humana. Partilhou ainda o seu percurso pessoal pelas artes, filosofia e diferentes tradições espirituais, destacando a experiência de quatro anos de vida monástica na Índia, onde aprofundou práticas de meditação, yoga e contemplação.
A partir dessa experiência, destacou a 𝗶𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗼 𝘀𝗶𝗹𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗼, 𝗱𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗰𝗶𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗲 𝗱𝗮 𝗱𝗶𝗺𝗲𝗻𝘀𝗮̃𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗶𝗼𝗿 𝗻𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼, defendendo que a verdadeira sabedoria não se limita à aquisição de informação, mas 𝗻𝗮𝘀𝗰𝗲 𝘁𝗮𝗺𝗯𝗲́𝗺 𝗱𝗮𝘀 𝗲𝘅𝗽𝗲𝗿𝗶𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝘃𝗶𝗱𝗮, 𝗱𝗮 𝗿𝗲𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗼𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀 𝗲 𝗱𝗮 𝗰𝗮𝗽𝗮𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗼𝗹𝗵𝗮𝗿 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗱𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝗶.
Neste contexto, o 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗮 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝗮𝗹 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗲𝗿𝘁𝗼𝘂-𝗹𝗵𝗲 𝘂𝗺 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗲 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗮 𝗲 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗽𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹, 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗶𝗱𝗲𝗿𝗮 𝗿𝗲𝗽𝗹𝗲𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝘀𝗶́𝗺𝗯𝗼𝗹𝗼𝘀 𝗰𝗮𝗽𝗮𝘇𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿 𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗲𝗲𝗻𝗱𝗲𝗿 𝗼 𝘀𝗲𝗿 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗼 𝗲 𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝗿𝗲𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗻𝗮𝘁𝘂𝗿𝗲𝘇𝗮 𝗲 𝗰𝗼𝗺 𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼. Do megalitismo às tradições celtas, do cristianismo à simbologia templária e aos Descobrimentos, foram exploradas diferentes manifestações culturais e espirituais. Entre os exemplos abordados estiveram os menires e as antas, as mouras encantadas, a Velha do Inverno e o mito de D. Sebastião, 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗽𝗿𝗲𝘁𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝘅𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗼̃𝗲𝘀 𝘀𝗶𝗺𝗯𝗼́𝗹𝗶𝗰𝗮𝘀 𝗱𝗮 𝗿𝗲𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗼 𝘀𝗲𝗿 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗼, 𝗮 𝗻𝗮𝘁𝘂𝗿𝗲𝘇𝗮 𝗲 𝗮 𝗱𝗶𝗺𝗲𝗻𝘀𝗮̃𝗼 𝗲𝘀𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗲𝘅𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮.
A simbologia dos cavaleiros e do Graal foi também um dos temas em destaque. Na interpretação apresentada, a procura do cálice representa uma atitude de abertura e recetividade, enquanto a figura do cavaleiro simboliza a integração entre a ação no mundo e a dimensão contemplativa e espiritual. Também os Descobrimentos e a obra «Os Lusíadas», de Luís de Camões, foram abordados como 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗶́𝘃𝗲𝗶𝘀 𝗺𝗲𝘁𝗮́𝗳𝗼𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗮 𝘃𝗶𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗶𝗼𝗿, 𝗱𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗼 𝗺𝗮𝘀𝗰𝘂𝗹𝗶𝗻𝗼 𝗲 𝗼 𝗳𝗲𝗺𝗶𝗻𝗶𝗻𝗼 𝗲 𝗱𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗰𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗿𝗲𝗮𝗹𝗶𝘇𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗽𝗹𝗲𝗻𝗮.
A sessão convidou, assim, a olhar para Portugal para além da sua dimensão histórica e geográfica, reconhecendo no seu património cultural e simbólico uma fonte de reflexão sobre a condição humana. Uma viagem pela história, pela filosofia, pela teologia e pela arte que, na perspectiva de Fábio Ramunni, pode também tornar-se uma viagem de descoberta interior.