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Frei Agostinho da Cruz

Agostinho Pimenta, irmão mais novo de Diogo Bernardes, nasceu em Ponte da Barca, em 1540, saiu aos 15 anos da sua terra e foi para a casa de D. Duarte, neto D'el Rei D. Manuel. Em 1560 entrou, como noviço no Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra. Aos 21 anos faz-se capuchinho e toma o nome de Frei Agostinho da Cruz.

Passados uns anos, no dia da Vera Cruz, a 3 de Maio de 1571, professou nesse mesmo convento. Em 1605, contando 65 anos de idade, foi nomeado guardião no Convento de S. José de Ribamar. Nesse mesmo ano conseguiu autorização para viver como eremita na serra da Arrábida. Ali passou catorze anos no meio das maiores privações e austeridades: - a sua comida eram ervas e frutas silvestres; a cama, a terra dura e o travesseiro um tronco de uma árvore. A natureza, é verdadeira na sua poesia.

Poeta de profunda e dramática inspiração, canta o remorso vivo de um passado que o magoa, a saudade contínua do Céu; na Natureza encontra sempre motivo de pasmo e remordimento, porque a acha fiel ao seu Criador, enquanto ele, Homem, não louva a Deus como deve.

A 14 de Março de 1619 exalou o último suspiro. Foi sepultado a 16 desse mesmo mês, junto à sacristia da Igreja da Arrábida. Ao seu funeral, que se transformou numa verdadeira apoteose às suas excelsas virtudes, assistiram, além de muito povo, algumas das principais personalidades de então. Durante muito tempo foi o seu túmulo um centro de romagem para o povo.

Frei Agostinho, ao entrar em religião, queimou quase todas as poesias que até então escrevera. As que escreveu depois foram pela primeira vez publicadas, só em parte, em 1771. Mendes dos Remédios, publicou uma nova edição em 1918, com o nome de «Obra de Frei Agostinho da Cruz.». 

Segundo este autor: - " A lira de Fr. Agostinho é impregnada dum sentimento tam sincêro de naturalidade e de verdade, que impressiona profundamente. É a alma dum verdadeiro crente, resignado, compassivo, amorável, que se nos desvenda em cada página... São versos que têm alma e fazem sonhar alcandorando-nos até onde se não sente o rugir da fera humana, como se nos fosse dado mergulhar naquele indefinido descanso a que tanto aspirou o autor que os escreveu com o seu grande espírito de Poeta e de Crente." É incontestavelmente o Príncipe dos nossos poetas místicos e nisto vai o seu melhor elogio.

 Fontes: - Padre Avelino Jesus da Costa
              - Dicionário de Literatura sob a direção de Jacinto do Prado Coelho, Ed. Figueirinhas, Porto.